vida de cachorro
um vira-latinha tão carente
sem pêlo quase e manco
(todos os cachorros dos arrabaldes são mancos)
sozinho e indefeso
medroso de tudo
sem nome e sem rumo
tão sem lugar nesta rua
neste bairro, nesta vida
sem pêlo quase e manco
(todos os cachorros dos arrabaldes são mancos)
sozinho e indefeso
medroso de tudo
sem nome e sem rumo
tão sem lugar nesta rua
neste bairro, nesta vida
o olhar chaplinesco, choroso
guarda lá no fundo uma alegria fácil
já lhe abanaria o rabo
uma voz mais suave de um chamado despretensioso
ou mesmo um simples assobio
esquecido em sua própria sombra, ali
todo maltratado
um vira-latinha, apenas
para os passantes
que não fazem outra coisa, senão passar
com relógios e bocejos
que vontade a minha de voltar
e acolhê-lo num abraço
trazer todos os cãezinhos abandonados do mundo
para o meu quintal
e alimentá-los
e afagar-lhes as orelhas
e fazer cosquinha debaixo do pescoço
que sei que eles adoram assim
deixá-los lamber minha mão
e arremessar ao mais longe qualquer coisa
para que eles se esbaldem na carreira desabalada
e pensar que os dias têm sido
esperar o pontapé de alguém
sem nada ter feito por isso...
.
- premiado com o 3º lugar do Concurso "IV Prêmio Barueri de Literatura" - 2007
- declamado pelo locutor português Luís Gaspar, no programa Lugar aos Outros 73 de seu audioblog Estúdio Raposa.

Ainda bem que você mesmo disse que existem os poetas-leitores e os
poetas
escritores.
Eu, na primeira condição, gostaria de deixar minha reflexão especialmente
sobre a última estrofe:
Quantos de nós não já fomos ou seremos como esses caezinhos, levando
ponta-pés "sem nada ter feito por isso", mas persistamos que de Outro, e por
esse devemos/podemos esperar, virá o abraço acolhedor.
Eu sei que o fato maior em "vida de cachorro" não foi conduzir pensamentos
para esse lado que me conduziu. Ora, Ora, mas ele é agora de todos, ou não?
Claro,Claro, sobram também espaços para dizer que é bem isso que sentimos,
os que gostamos de cahorro, ao vermos essa meninadinha balançando o rabo nas
ruas.
bjos, até daqui a pouco.
caminhei pouco nesta vida...mas, para a minha, o suficiente.
as pedras que se colocam em meu caminho, não foi eu quem as coloquei, mas contribuí para que se mantivessem lá ou somente eu as enxerguei.
o que isso quer dizer?
que eu me faço moribundo, cheiroso, imundo
eu me faço feliz, crente, sortudo
eu me faço amado ou odiado por todos
eu me faço tudo e nada, diante do mundo...
Beijos
Sumida
Esses adoráveis vagabundos são postos em nossos caminhos pra ver se a gente se toca. Gostei do tema e dos versos. Abraço/saudade/Riodaqui aí. Paulo Vigu
Parabéns, Roggiero, por seu abençoado olhar de poeta sobre as coisas simples da vida e pelo merecido prêmio.
~^~ Abraço ~^^ ~
P.E. Lá em casa, eu e Vanusa, temos 7 cachorros.
Comigo? São 8 (rsrs).
A mais recente que adotamos é a Mel - estava abandonada na rua e me olhou de um jeito... Putz!!! Não tive outro jeito, levei-a para o abrigo do Ninho.
Parabéns pelo prémio.
Acontece que tenho um livro escrito sobre a vida dum cão vadio. Está em 3ª edição. É o "cão Merdock", dos meus blogs.
gora estou só a passar fotografias, mas se procurar mais abaixo terá um cheirinho da estória.
Um abraço.
Parabéns, poeta!
Estas coisas que despertam vários sentimentos nos tocam de todos os jeitos, mesmo sem querer...
Seguindo passos de escritor...
sina que se assina!
Beijos!
Parabéns pelo Prémio, mas ainda mais pelo poema! Se todos os chamados humanos, se tocassem e não abandonassem nem maltatassem os seus animais, talvez o mundo fosse bem melhor.
Um abraço
Sempre linda a sua Poesia...palavras perfeitamente encaixadas, dessa vez cantando uma vidinha tão, tão...tão minha vezenquando!....
Uma certa tristeza, um pouco de dureza, pitada de esperança, esquecimento da rudeza. Tudo isso - e mais - ingredientes do que chamamos Vida.
Amo cães. Tb tenho vontade de levar todos para casa. Mas já tenho três. Minha mãe já ameaçou: mais um e...quatro coitados no olho da rua (contando comigo). ;)
Beijos, lindo e talentoso, querido amigo.
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